terça-feira, 26 de abril de 2011

Rota francesa do Huayna Potosi

O Huayna Potosi (6088 m) está localizado na Cordilheira Real, perto de La Paz. A proximidade de La Paz (menos de 2 horas), a existência de um refúgio a cerca de 5300 m e a facilidade da rota normal faz que muitas pessoas procurem essa montanha.

Eu escalei o Huayna pela rota normal (em solitário) em 2001. Apesar de não apresentar nenhuma dificuldade técnica, é uma escalada bastante cansativa e muita gente abandona antes de chegar no cume.

Em 2008 eu voltei para a Bolívia junto com a Carla. A idéia era repetir junto com ela a rota normal. Mas a Carla teve um problema de saúde quando voltamos do Condoriri e não estava em condições de escalar o Huayna. Por outro lado o Davi Marski tinha terminado de dar o curso de escalada no gelo e estava indo, com mais alguns amigos, para lá. Combinamos então de tentar escalar pela rota francesa.

A parte mais técnica da rota francesa consiste de uma parede de gelo de cerca de 300 m, com uma inclinação variando de 50 a 70 graus (veja a foto abaixo). A rota começa no refúgio do Campamento Roca e segue a rota normal até perto da pala alta. Depois faz uma travessia para a esquerda contornando gretas e seracs até a base da parede. Ela termina no cume sul (5980 m). Para chegar no cume norte (6088) é necessário fazer uma travessia. Geralmente a descida é feita pela rota normal.



A nossa tentativa na rota francesa enfrentou vários problemas. Quando chegamos no refúgio descobrimos que ele tinha reservado por um grupo de italianos. Foi uma negociação dura até conseguirmos uma autorização para dormirmos no refeitório depois que o jantar fosse servido. Só conseguimos esticar os sacos de dormir depois das 22:00, sendo que colocamos o despertador para a 1:00. Durante a madrugada pegamos um frio extremo, beirando -20oC. Finalmente quando o sol saiu quase caimos numa greta ao nos aproximarmos de uma ponte de neve. Com o moral abalado, acabamos desistindo da rota francesa (inclusive da rota normal) e voltamos para o refúgio. O video abaixo, produzido pelo Davi, mostra como foi essa tentativa.



Este ano pretendemos voltar para o Huayna Potosi, depois de concluir a fase de aclimatação no Condoriri. Os nossos planos são subir todos (Felipe, Carla e Andrigo) pela rota normal e voltar para o refúgio, passar uma noite lá e fazer uma nova tentativa (Felipe e Andrigo) pela rota francesa. Espero que dessa vez a montanha esteja mais receptiva.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Mais corridas

No dia 10/4 eu e a Carla participamos da primeira corrida da Série Delta em Campinas. Condições ideais: largada cedo (7h30), temperatura baixa e circuito relativamente plano (2 voltas na Lagoa do Taquaral). Resultado: minha melhor marca nos 10 km (48'40"). Isso me deixou muito contente e deu mais animo para continuar treinando forte.




Uma semana depois (17/4) participamos da Corrida Boldrini. Desta vez as condições não estavam tão boas: largada as 8h30 com uma temperatura mais elevada e algumas subidas ao longo do percurso (a mais forte justamente no final). Mesmo assim eu consegui correr os 10 km abaixo de 50 min. (49'27") e a Carla completou a sua primeira prova nos 10 km.

Agora a nossa meta é a meia-maratona (21 km) de Florianópolis no dia 19/6. Bota prá correr (movimento nacional para sair do sofá)!!!

terça-feira, 29 de março de 2011

O vírus da corrida

Há muito tempo eu incorporei a corrida no meu programa de treinamento físico. Eu tinha uma meta de correr 10 km em 50 minutos, que considerava suficiente para escalada em alta montanha. Na verdade eu não gostava de correr, preferia pedalar, escalar na rocha e fazer longas caminhadas para me manter em forma. Como eu não tinha uma programação correta de treino, eu nunca conseguia alcançar a minha meta, sempre correndo os 10 km entre 55 e 58 minutos.
Quando fomos escalar no Peru em 2009, eu percebi que o Andrigo tinha muito mais 'fôlego' do que eu. Durante a expedição ele me contou como ele treinava, me falou das corridas que ele participava e dos planos para correr uma meia-maratona. Aquelas conversas me animaram a investir mais nas corridas de rua. Logo depois da expedição eu me inscrevi para a Corrida Integração, umas das provas mais importantes de Campinas. O meu tempo foi um desastre (mais de 1 hora), mas em vez de desanimar eu resolvi levar o treinamento a sério. Pouco tempo depois participei da Volta da República, junto com o Andrigo, completando a prova em menos de 59 minutos.
Em 2010 eu fiz um treinamento específico para a Expedição Trilogia dos Alpes, ainda alternando corrida com bike, caminhadas e subida de escadas. Ainda no primeiro semestre eu conheci o Lucas (treinador da equipe Labex/Unicamp, veja o post anterior) e combinamos um treinamento específico para corrida, para começar em agosto. O resultado deste treinamento logo apareceu, pois na primeira prova (Corrida da TVB) eu já baixei o tempo para 57'. Nas provas seguintes, Corrida Integração e Volta da Unicamp, os tempos baixaram para 55' e 53'. Aos poucos eu fui me apaixonando pela corrida, comprei um segundo par de tênis para revezar nos treinos, passei a prestar mais atenção na minha dieta e começei a ler mais sobre fisiologia do exercício. Na Corrida Serie Delta eu consegui terminar a prova abaixo de 51'. Ainda fiz mais 2 provas de 6 km antes das férias do final do ano.




Assim que eu e a Carla voltamos da viagem ao Frey nós retomamos os treinos de corrida. Aos poucos fui voltando ao nível anterior, procurando correr no ritmo de 5' por km. Nestes dois primeiros meses já participei de 3 provas: Corrida da Lua (10 km), Corrida de Monte Mor (6 km) e Corrida Oba (8 km). Agora estou montando um calendário de provas até o início da nossa expedição em julho.
Acho que eu fui contagiado pelo o vírus da corrida!!

Felipe Moura

sexta-feira, 4 de março de 2011

Preparação física

Desta vez começamos a nossa preparação física bem antes, assim que voltamos da Expedição Trilogia dos Alpes. Em agosto/2010 nós entramos para a Equipe de Corrida da Unicamp (http://correunicamp.blogspot.com/), coordenada pelo prof. Lucas Samuel Tessutti (http://www.blogger.com/profile/00351579335429785621). Passamos por uma avaliação física e logo começamos a seguir o treinamento proposto pelo Lucas. Começamos a participar de várias corridas de rua de 6 e de 10 km. Os resultados começaram a aparecer, pois os tempos foram baixando.



Em paralelo com o trabalho de preparação aeróbica, continuamos o trabalho de fortalecimento muscular na Academia Cinética (http://www.cineticafitness.com/). Esse trabalho é essencial tanto para dar suporte ao treinamento aeróbico, quanto para melhorar a nossa condição física para a escalada, além de ajudar a previnir as lesões.

Nestes 4 meses que antecedem a nossa expedição, vamos adicionar no nosso programa de treinamento físico as caminhadas de longa duração carregando uma mochila, assim como aguns treinos específicos como subir as escadas de um prédio. Isso vai garantir a resistência necessária para as longas jornadas nos dias de ataque ao cume.

Felipe Moura

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Escalando no Frey

A escalada alpina depende de três fatores fundamentais: técnica de escalada, condicionamento físico e preparação psicológica. Este último aspecto, geralmente desprezado, é de grande importância. Devido às exigências da escalada alpina e aos elevados riscos envolvidos, a preparação psicológica pode ser decisiva no sucesso da escalada. Um alpinista bem preparado psicologicamente consegue se concentrar melhor nos trechos mais expostos da escalada, progredindo mais rapidamente. Esse foi um dos aspectos que nos levou a escolher o vale do Frey no norte da Patagônia (Argentina) para passar as nossas férias, além das paisagens fantásticas, é claro. Saimos, eu e a Carla, de Campinas no dia 27/12 num vôo da Aerolineas Argentinas rumo a Buenos Aires. Passamos dois dias lá, com um calor insuportável.

Centro de Buenos Aires


Bairro La Boca em Buenos Aires

No dia 29/12 pegamos um ônibus para Bariliche. A viagem foi bem agradável, apesar de durar mais de 22 horas. Ficamos apenas um dia em Bariloche, pois queriamos passar o Ano Novo já no vale do Frey.

Centro de Bariloche

Então, no dia 31/12 pegamos um ônibus urbano até a Villa Cohiues, onde conseguimos um cavalo para levar parte da nossa carga. Depois de andar 2 km por uma estrada de terra, chegamos na entrada do parque. Fizemos nosso registro e começamos uma linda trilha de cerca de 10 km até o Refugio Emílio Frey, que fica na beira de um lago, a 1700 m.


Trilha para o vale do Frey


Refugio Frey

Montamos a nossa barraca subindo a encosta, para escapar da 'agitação' do refúgio. Comemoramos a passagem do ano tomando um champagne e admirando a silhueta das agulhas contra um céu todo estrelado.


Barraca montada acima do refugio


Silhueta das agulhas no crepúsculo

Nos primeiros dias aproveitamos para fazer algumas caminhadas para conhecer a região. Apesar da impressão de que as agulhas estão distantes, as caminhadas levam de 1 a 2 horas, no máximo. A caminhada até a base da agulha principal (2410 m), por exemplo, levou cerca de 1h30.


Laguna Schmoll


Agulha principal

Depois dessa fase de 'aclimatação', fomos escalar algumas vias curtas em um setor ao lado esquerdo da agulha Frey. São vias de 5 e 6 grau, alternando proteções fixas e móveis, que não constam do guia de escaladas da região do Frey.




Num outro dia, tive a oportunidade de escalar com dois canadenses na agulha M2. Fizemos a via Socotroco (6b). Acabamos conhecendo dois brasileiros, o Camilo e o Plinio, com quem fui escalar algumas vezes. Começamos com as vias clássicas da agulha Frey: Diedro de Jin (5+) e Sifuentes Weber (5+). Esta última tem 4 enfiadas (90 m), quase toda em fendas e com proteções móveis. Imperdível!! Ainda tive a oportunidade de escalar junto com o Camilo as vias Sudor frio (6a+) e Yan Pipol for piz (6b) na agulha Yan Pipol e a via Del diedro (5+) na agulha M2.

Agulha Frey no centro e Agulha Yan Pipol a direita

Tivemos bastante sorte, pois passamos 12 dias acampados no Frey e só choveu um dia (e algumas noites). A temperatura estava bem agradável, oscilando entre uma mínima de 5 oC de madrugada e 25 oC no final da tarde. Conseguimos até tomar banho no lago!

Na volta passamos 3 dias em Bariloche para conhecer melhor a cidade e voltamos novamente para Buenos Aires de ônibus. No dia 17/01 voltamos para Campinas.

Editamos alguns videos feitos durante essa viagem, que mostram um pouco deste lugar maravilhoso.

Felipe Moura

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Objetivos da expedição

Esta expedição tem como principal objetivo escalar algumas montanhas da Cordilheira Real na Bolívia.

Vamos começar com um período de aclimatação no campo base do Condoriri (4500 m), depois de passar uns 3 dias em La Paz (3600 m). A partir do campo base pretendemos escalar o Pequeno Alpamayo (5370 m) pela crista oeste (rota normal) e/ou pela rota diretíssima da face sudeste. Pretendemos também escalar a Cabeza del Condor (5648 m) pela rota normal da crista sudeste.

Depois pensamos em escalar o tradicional Huayna Potosi (6088 m) pela rota normal e/ou pela Via de los Franceses. Finalmente vamos tentar escalar o Illimani (6436 m) pela rota normal.

A escolha das rotas vai depender da qualidade do gelo, da nossa aclimatação e das condições climáticas. Havendo condições adequadas vamos buscar as rotas mais técnicas.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Começa aqui o blog da nossa expedição

Bem vindos ao blog da Expedição Cordilheira Real 2011.
Aqui voces encontrarão várias informações sobre a expedição, tais como objetivos, cronograma, equipe, preparação, material, etc.
Ao longo da expedição estaremos enviando regularmente notícias, fotos e videos.
Namaste!
Luiz Felipe Moura
Carla Daldan Dias
Antonio Carlos Andrigo